Osteogênese Imperfeita no Mundo

Epidemiologia global, classificação molecular, tratamentos internacionais, centros de excelência e fronteiras da pesquisa científica.

Epidemiologia Global

A Osteogênese Imperfeita é uma condição genética rara de distribuição mundial, sem predominância étnica ou geográfica. A prevalência global estimada é de 6 a 7 casos por 100.000 habitantes, totalizando aproximadamente 500.000 a 700.000 pessoas vivendo com OI no mundo. A OIFE (Osteogenesis Imperfecta Federation Europe) estima que existam pelo menos 50.000 pessoas com OI na Europa e a OI Foundation (EUA) calcula 25.000 a 50.000 nos Estados Unidos [1][2].

~700.000
pessoas no mundo
1:15.000
nascidos vivos (global)
21+
tipos moleculares descritos
85%
por mutação COL1A1/COL1A2

Genética e Tipos Moleculares

A classificação molecular da OI expandiu-se significativamente desde Sillence (1979). Estudos do Groupe de Recherche en Génétique du Squelette (Canadá/França) e do Shriners Hospitals for Children identificaram os principais subtipos [3]:

TipoGeneGravidadeFrequência
ICOL1A1Leve~50% dos casos
IICOL1A1/COL1A2Letal perinatal~5-10%
IIICOL1A1/COL1A2Grave progressivo~20%
IVCOL1A2Moderado~15-20%
VIFITM5Moderado~5%
VI–XXISERPINF1, CRTAP, P3H1...Variável<5% cada

Tratamentos Globais em 2026

APROVADO Bisfosfonatos IV/Oral

Pamidronato, ácido zoledrônico e alendronato são os tratamentos padrão em praticamente todos os países com protocolos para OI. O ácido zoledrônico está aprovado na Europa (EMA) e EUA (FDA) para osteoporose em adultos, sendo usado off-label em OI pediátrica [4].

FASE III — EUA/EUROPA Setrusumabe (BPS-804)

Anticorpo monoclonal anti-esclerostina em ensaio clínico de fase III (ASTEROID). Primeiros resultados publicados em 2021 mostram aumento de 8-10% na densidade mineral óssea em 1 ano. Desenvolvido pela Mereo BioPharma. [5]

PESQUISA AVANÇADA Terapia Celular (Células-Tronco)

O Karolinska Institute (Suécia) realizou os primeiros transplantes de células-tronco mesenquimais intra-uterinos para OI grave. Resultados de longo prazo publicados em Lancet (2018) mostram benefício em redução de fraturas [6].

FASE I/II Terapia Gênica

Abordagens baseadas em CRISPR-Cas9 e RNA antisense (silenciamento do alelo mutante COL1A1) estão em desenvolvimento pré-clínico e fase I em centros dos EUA e Europa. Representam o futuro do tratamento curativo da OI [7].

Centros de Excelência Internacional

🇨🇦

Shriners Hospitals for Children — Montreal

Referência mundial em OI pediátrica. O Dr. Francis Glorieux publicou os estudos fundacionais sobre pamidronato em OI (1998). [8]

🇺🇸

NIH / NIAMS — Bethesda, Maryland

National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases. Financiador da maior rede de pesquisa em OI dos EUA. [9]

🇸🇪

Karolinska Institute — Estocolmo

Pioneiro em transplante intra-uterino de células-tronco para OI. Referência em pesquisa translacional de doenças genéticas raras. [10]

🇬🇧

Great Ormond Street Hospital — Londres

Principal centro pediátrico britânico para OI. Participa de ensaios clínicos internacionais e desenvolve protocolos multidisciplinares. [11]

🇩🇪

Charité — Universitätsmedizin Berlin

Centro europeu líder em pesquisa molecular da OI, especialmente tipagem genética e novas mutações identificadas em COL1A1/A2 e genes não-colágeno. [12]

🌍

OIFE — Osteogenesis Imperfecta Federation Europe

Federação europeia que reúne associações de 28 países. Promove direitos, pesquisa e acesso a tratamento para pessoas com OI na Europa. [1]

oife.org

Referências

  1. OIFE. Osteogenesis Imperfecta Federation Europe. Disponível em: oife.org
  2. OI Foundation. Osteogenesis Imperfecta Foundation. Disponível em: oif.org
  3. Forlino A, Marini JC. Osteogenesis imperfecta. Lancet. 2016;387(10028):1657-1671. DOI: 10.1016/S0140-6736(15)00728-X
  4. EMA. Zoledronic acid — European Public Assessment Report. Disponível em: ema.europa.eu
  5. ClinicalTrials.gov. ASTEROID Study — Setrusumabe in OI. NCT03118570. Disponível em: clinicaltrials.gov
  6. Götherström C et al. Fetal bone-marrow-derived mesenchymal stem cells for treatment of severe osteogenesis imperfecta. Lancet. 2018. DOI: 29429762
  7. PubMed. Gene therapy osteogenesis imperfecta. Disponível em: pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  8. Shriners Hospitals. Disponível em: shrinerschildrens.org
  9. NIAMS/NIH. Osteogenesis Imperfecta. Disponível em: niams.nih.gov
  10. Karolinska Institute. Disponível em: ki.se
  11. Great Ormond Street Hospital. Disponível em: gosh.nhs.uk
  12. Charité Berlin. Disponível em: charite.de